A borracha trouxe mais do que benefícios as famílias pobres, trouxe também riqueza e beleza ao estado.
"Além de fazer parte da cultura da Amazônia o plantio e a extração da planta possibilitam a melhoria na vida de várias famílias"

A HISTÓRIA
O ano era 1839, Charles Goodyer descobriu acidentalmente o processo de vulcanização ao deixar cair um pouco de enxofre na mistura de borracha em seu laboratório, o que resultou no aprimoramento da borracha que conhecemos hoje em dia, muito mais resistente e elástica.
A seringueira, árvore originária da bacia hidrográfica do Rio Amazonas, onde existia em abundância e com exclusividade, foi a responsável pelo processo de formação de toda uma região, o látex, seiva retida dessa árvore deu origem ao “Ciclo da Borracha”, período da história brasileira de muitas riquezas para a região amazônica. Essa é uma viagem ao centro do universo da borracha, sua grande influência na construção de algumas das principais cidades região norte, seu declínio, a luta dos pesquisadores da Embrapa para a conservação dessa que foi a muito a principal fonte de renda de toda uma sociedade, a mudança na vida de várias pessoas que abriram mão de seus lares e famílias, para procurar na borracha uma saída para a pobreza, mas que só encontraram um desespero no “inferno verde”.
O Ciclo da borracha teve uma importância relativamente forte na história econômica e social do Brasil, atraindo consigo riquezas e causando transformações culturais e sociais além de grande impulso as cidades de Manaus, Porto Velho e Belém. Manaus-AM,foi uma das cidades que surgiram e cresceram graças a extração da borracha. Um exemplo dessa riqueza, é o Teatro Amazonas, que foi construído com muito luxo, e suas ruas ao redores, são calçadas com borracha, para que as carruagens que passassem na frente não fazerem barulho e atrapalhar o espetáculo que estava a ocorrer. Em 1830 a exploração da seringueira aumentou exponencialmente, pra fazer uma idéia da dimensão desse aumento, nessa época a população da cidade era de apenas 3 mil habitantes, com a exploração da planta, muitos imigrantes se deslocaram para a região amazônica, a população aumentou em 1880 para 50 mil habitantes, em 50 anos.
Grande parte dos imigrantes eram do Nordeste, homens que vinham com o sonho de encontrar riquezas na borracha, os novos seringalistas se apropriaram de áreas enormes da Floresta para extrair a matéria prima da borracha – o látex das Seringueiras. Muito sangue foi derramado nesse período, tanto dos índios que eram mortos em lutas defendendo seu território dos invasores, quanto os próprios “invasores” que foram acometidos por doenças como a Malária,febre amarela, hepatite e atacados por animais como onça, serpentes e escorpiões. Foram cerca de 30mil seringueiros abandonados para morrerem na Amazônia, depois de terem exaurido suas forças extraindo o ouro branco.
Houve um segundo surto da borracha durante a segunda guerra mundial, quando os Japoneses, que eram aliados com os Alemães ocuparam as plantações de Seringas na Malásia. Os países aliados contra a Alemanha tinham que achar uma outra fonte para adquirir a borracha, que é indispensável para fazer guerra. Assim aconteceu a segunda vaga de imigração do nordeste. Desta vez eram os chamados "soldados da borracha": sujeitos ao serviço militar que tinham que escolher entre lutar na guerra ou trabalhar como seringueiro. Os soldados de borracha já tinham dívidas antes mesmo de começar a trabalhar. Eles tinham que entregar borracha em troca do equipamento e dos alimentos que precisavam. Este "Sistema de Aviamento" ditado pelos seringalistas fez com que eles nunca chegarem a obter dinheiro e assim eles nem podiam voltar à terra deles depois da guerra. Calcula-se que apenas seis mil homens, voltaram ao seu local de origem, a duras penas e por seus próprios meios.
Este surto da borracha que fez enriquecer as cidades de Manaus e Belém foi terminado pela produção Inglesa de borracha na Malásia. No ano 1913 a produção Inglesa - Malásia superou pela primeira vez a do Brasil. A Amazônia perdeu o monopólio de extração da borracha. Ingleses com autorização da Alfândega e órgãos nacionais passaram a exportar sementes de seringueira pra a Malásia e assim passaram a produzir um látex com eficiência e produtividade. Com o fim da guerra, A Europa e a Ásia se reorganizaram, cessando, novamente, a atividade ineficiente nos seringais da Amazônia.
Um dos principais motivo da derrocada do império da borracha: foi a incapacidade dos empresários brasileiros e falta de visão dos políticos , sem planos de desenvolvimento para a região
Além de fazer parte da cultura da Amazônia o plantio e a extração da planta possibilitam a melhoria na vida de várias famílias, pois com o seu manejamento é possível diminuir o êxodo rural, já que ela desencadearia uma série de novos empregos, a seringueira ema uma planta que apresenta grande resistência, ela se adapta a vários tipos de solos, além de não precisar de cuidados diários, com as novas espécies clonadas o tempo de sangria que era de cinco anos, caiu pra três diminuindo o tempo de espera por resultados lucrativos.
A seringa hoje:

Hoje em dia a situação dos seringueiros no Estado do Amazonas não é um dos melhores, a árvore é atacada por pragas e doenças, como o “Mal da folhas”, o que dificulta a ampliação de projetos voltados nesse setor. Há vários anos pesquisadores da Embrapa realizam estudos voltados para o desenvolvimento da cultura da Seringueira. A partir da década de 70, os trabalhos evoluíram com a criação de um programa de melhoramento genético da seringueira, coordenado pela Embrapa Amazônia Legal em Manaus (AM), o que possibilitou a substituição da seringueira bi composta pela abordagem tri composta.
Clones e Mal das Folhas:

Todas as árvores de um clone possuem a mesma constituição genética, responsável pela uniformidade existente entre elas. Os clones, como material para implantação de um seringal, apresentam várias vantagens: a mais importante delas é a uniformidade exibida pelos seus indivíduos. Todas as árvores de um mesmo clone, sob as mesmas condições ambientais, apresentam baixa variabilidade com relação a diferentes caracteres, como vigor, espessura de casca, produção, propriedade do látex, senescência anual de folhas, nutrição e tolerância às doenças.
“Trabalhar com os clones é vantajoso porque você investe em árvores que sabe que são produtivas, resistentes e vão te dar uma uniformidade no seringal, pois vão crescer ao mesmo tempo, produzir ao mesmo tempo”, explica o produtor.
O “mal-das-folhas da seringueira” é uma das doenças mais comuns na espécie. Causada pelo fungo Microcylus ulei, é o principal empecilho para a expansão da heiveicultura no Brasil, principalmente na região Norte do país. O mal-das-folhas causa a queda prematura de folhas, podendo levar as plantas à morte. Na pesquisa realizada no Acre são estudados 14 tipos de clones para ver qual se adapta melhor ao Estado em relação a doenças e produtividade.
“O produtor precisa ter muito cuidado com esta doença, principalmente nos viveiros, local que concentra grande quantidade de plantas em fase jovem. A doença deve ser controlada e dentro do projeto de plantio devem estar contempladas as medidas necessárias para este controle, de forma a garantir uma produção de qualidade”, explicou o pesquisador.
“ O esquema de clonagem nada mas é, do que a enxertia da copa das árvores com o objetivo de remover o mal das folhas. Com a técnica de combinação de enxertias da copa/painel se solucionou o problema, faltando agora programas de financiamento para plantios em grande escala, tornando viável a heveicultura na Amazônia”, disse Jose Roberto Antonio Fontes, pesquisador da Embrapa.
Os benefícios da borracha seriam imensos, no Amazonas, borracha é produzida anualmente entre os meses de março e dezembro. O país produz em média de 170 mil toneladas anuais do produto e o estado do Amazonas é responsável apenas por 20% dessa produção, apesar de o consumo interno chegar a 300 mil toneladas. “ Há 100 anos o Amazonas produzia 2 milhões de toneladas de borracha por ano, o preço do produto sintético está aumentando os seringais da Ásia estão perdendo suas qualidades produtivas. Esse é o melhor momento para a borracha no Amazonas ser reerguida, isso prova que é possível “reerguer” a cultura da borracha no estado”. Diz Jose Fontes: "A extração do látex das seringueiras nos seringais nativos está profundamente marcada na sociedade amazonense. Durante todo o ciclo da borracha foram destinados recursos humanos e materiais de grande monta para a coleta do látex em praticamente todo o território do estado. Tudo girava ao redor da extração, transporte e beneficiamento do látex. E a riqueza gerada pela cadeia produtiva da borracha permitiu transformar a cidade de Manaus em uma cidade moderna, que despertava a curiosidade do mundo e que atraía o interesse de todo o tipo de pessoa: aventureiros, trabalhadores, militares, empresários, etc. Toda essa gente influenciou, de algum modo, o viver e o pensar da cidade e da região. A expressão mais visível de tudo isso é o Teatro Amazonas".
Plantando a seringa:
1-Preparar o terreno para não ocorrer erosões fazendo-se curvas de nível e até caixas de contenções para reter a água da chuva se preciso.
2-Análise de solo (etapa essa que pode ser realizada no final do plantio)
3-Calagem (calcariar) se necessário.
4-Demarcar as linhas onde vão ser plantadas as mudas (etapa essa feita por um tratorista instruído por um profissional).
5-Passar a grade rome uma ou duas vezes conforme a necessidade na área demarcada.
6-Passar a grade niveladora uma vez na área demarcada.
7-Dessecar a área com roundup wg.
8-Fazer coroas com espaçamento pré determinado.
9-Escolher mudas de viveiros idôneos (lembrando que é muito difícil até mesmo para grandes profissionais conhecer uma muda se ela é ou não é aquele clone que o viveirista está dizendo, sendo assim o que mais vale é a palavra e a idoneidade do viveirista).
10- Contratar uma equipe que saiba plantar ou aprender a plantar com algum profissional do meio.
11- Fazer as covas e plantar, aguando logo em seguida.
12- Agora é só aguar e não deixar faltar água.
links
http://www.cpaa.embrapa.br/
fontes: José Roberto Antonio Fontes : manejo de plantas daninhas e seringueiras
noticias da amazonia
EQUIPE: ELAYNE COSTA
JAMYLY MACEDO
MARLENE CARDOSO
NAIRA NASCIMENTO
SAMIRA BENOLIEL
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